
O triste é que eu só acho que vou ter um típico legendário Bóris só depois de ter viajado muitos países, morado ainda em muitos lugares e me estabilizado com algum tipo de situação dependente. Aí sim, vou poder ter uma casa bem aprazível, num país que se pareça comigo, na frente de uma lareira e com uma cia Bóris inesquecível. Até lá quantos anos vão ter se passado? Ainda não sei, mas espero pacientemente por este grande dia, pois ainda estou construindo alicerces e aproveitando a imaculada juventude - a de se construir com passos largos uma trilha sonora por vez.
Uma estória engraçada, é que numa véspera de ano novo há uns quatro anos atrás, estava eu na casa de amigos que tinham uma gata persa branca, cuja companhia foi a de dormimos juntos na sala numa certa noite. Logo de manhã, com os primeiros raios de sol trazendo ventos frescos, a gata estava basicamente em cima de mim, e quando eu acordei para ver o que se passava, a gata devia estar me encarando dormindo pelo menos umas boas horas afinco, o que me deixou muito assustada olhando-me com aquelas pupilas de ágata penetrante, não tenho dúvida que mexeu com as minhas disposições futuras.Gatos são inesquecíveis!
Os gatos completamente são cheios de uma vida própria, seres inatingíveis e indecifráveis e inspiradores, sem dúvida trazem mais admiração através da personalidade.. Mas eu gostaria de saber a façanha que eles têm de construir grandes bolas de pêlos. Cada lambida deve ser uma estréia ao seu asseio de independência aveludada.
Em homenagem a eles, hei de indicar uma poesia em homenagem a estas femininas criaturas, criada nada mais nada menos pelo mestre Baudelaire: LES CHATS.
Apaixonados fervorosos e sábios solitários
Amam da mesma forma, ao chegar a maturidade,
Gatos fortes e suaves, sua última felicidade,
Que como eles são friorentos e sedentários.
Esses amigos da volúpia e da ciência
Buscam o silêncio e o horror dos comentários;
O Érebo os teria por seus fúnebres emissários
Se fizessem do orgulho subserviência.
Adotam enquanto pensam nobres atitudes
Grandes esfinges no fundo sem virtudes,
Dormindo num sonho que nunca termina;
Seus rins fecundos, de fagulhas mágicas,
De partículas de ouro e de areia fina,
Estrelam vagamente suas pupilas trágicas.
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