sábado, 27 de março de 2010

O gato dos meus sonhos.

Se um sonho arquivado meu pudesse se realizar, com certeza seria o de ter como companhia diária este elegante gato preto chamado Bóris. Pra quem conhece este gato, sabe que ele é personagem constante das largas tardes no Largo da Ordem. Sabem alguns, também, que ele é filho das duas velhas senhoritas donas do sebo do Largo. Porém, a verdade é que ele é filho da região inteira. Todos que passam e transitam, logo parecem encantados com a docilidade desinteressada deste nobre gato e, quando ousam saber seu nome, o encanto triplifica por mil, afinal, um gato com nome ardiloso vivifica uma impressão muito familiar vinda de livros de contos fantásticos. E quando eu o conheci pela primeira vez foi apenas a confirmação de todo o maravilhamento de seu peludo semblante.

O triste é que eu só acho que vou ter um típico legendário Bóris só depois de ter viajado muitos países, morado ainda em muitos lugares e me estabilizado com algum tipo de situação dependente. Aí sim, vou poder ter uma casa bem aprazível, num país que se pareça comigo, na frente de uma lareira e com uma cia Bóris inesquecível. Até lá quantos anos vão ter se passado? Ainda não sei, mas espero pacientemente por este grande dia, pois ainda estou construindo alicerces e aproveitando a imaculada juventude - a de se construir com passos largos uma trilha sonora por vez.

Uma estória engraçada, é que numa véspera de ano novo há uns quatro anos atrás, estava eu na casa de amigos que tinham uma gata persa branca, cuja companhia foi a de dormimos juntos na sala numa certa noite. Logo de manhã, com os primeiros raios de sol trazendo ventos frescos, a gata estava basicamente em cima de mim, e quando eu acordei para ver o que se passava, a gata devia estar me encarando dormindo pelo menos umas boas horas afinco, o que me deixou muito assustada olhando-me com aquelas pupilas de ágata penetrante, não tenho dúvida que mexeu com as minhas disposições futuras.Gatos são inesquecíveis!

Os gatos completamente são cheios de uma vida própria, seres inatingíveis e indecifráveis e inspiradores, sem dúvida trazem mais admiração através da personalidade.. Mas eu gostaria de saber a façanha que eles têm de construir grandes bolas de pêlos. Cada lambida deve ser uma estréia ao seu asseio de independência aveludada.

Em homenagem a eles, hei de indicar uma poesia em homenagem a estas femininas criaturas, criada nada mais nada menos pelo mestre Baudelaire: LES CHATS.

Apaixonados fervorosos e sábios solitários

Amam da mesma forma, ao chegar a maturidade,

Gatos fortes e suaves, sua última felicidade,

Que como eles são friorentos e sedentários.

Esses amigos da volúpia e da ciência

Buscam o silêncio e o horror dos comentários;

O Érebo os teria por seus fúnebres emissários

Se fizessem do orgulho subserviência.

Adotam enquanto pensam nobres atitudes

Grandes esfinges no fundo sem virtudes,

Dormindo num sonho que nunca termina;

Seus rins fecundos, de fagulhas mágicas,

De partículas de ouro e de areia fina,

Estrelam vagamente suas pupilas trágicas.

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