terça-feira, 30 de março de 2010

Vintage graveyard!


É uma situação muito curiosa pensar na magia das vestimentas símbolo de referência original, cartão de boas vindas da personalidade de uma pessoa, onde cada peça e acessório possui uma estória própria ou já participou de várias estórias vividas de cada dono. Existe até a superstição daquele vestido que sempre trás sorte para aquela que usá-lo Por exemplo, uma senhora sempre se admirou ao notar que aquele chapéu de palha enlaçado nas abas com cetim vermelho trouxe momentos inesquecíveis. Toda vez que ela usava-o, o dia sempre era surpreendente e repleto de boas notícias. Nunca deixava de ser. Até o fato dela escolhê-lo numa tarde de verão sempre prenunciava “alegria está por vir”.

Estranho. Era o chapéu então que trazia alegria para a senhora, e porque não ela mesma? Para este mistério a sugestão pode estar no fato da chapeleira estar muito apaixonada na época em que confeccionou o chapéu, transformando-o numa espécie de EROS para quem comprasse. Como também da própria senhora adorar tanto o chapéu e atribuí-lo elevados significados, que alquimicamente o chapéu segue o seu destino representando exatamente o que senhora tanto deseja: a felicidade. Então, imaginem se por acaso os brechós estivessem cheio de estórias pra se contar. E com um pouquinho de imaginação, poderíamos refletir qual foram as vivências de cada ex-dono daquelas vestimentas penduradas só pela forma-pensamento que cada peça emana.

"...Aquela jaqueta verde embolorada, por ex, poderia ter tido como dona a universitária que veio pra capital estudar medicina sem nenhum capricho de comprar roupas novas, tendo como principal passatempo visitar os pais no fim de semana e reclamar que nunca tem dinheiro suficiente pra comprar seu sonho de valsa no intervalo das aulas. Sem falar na pequena sapatilha prateada, que poderia ter sido usada na festa de 15 anos daquela jovem mimada aos excessos pelos pais bem-sucedidos, cuja principal vontade era a de fazer 18 o quanto antes..."

Seria uma verdadeira coleta de personagens numa pequena loja de usados, o portal para um verdadeiro coro de sapatos dançantes, todos em confraria batucando seus saltos no chão e cantando em voz alta como um filme musical qual é o significado de cada um, de onde vieram, como era a personalidade de seu dono, se foram bem tratados, se ficavam mais tempo no armário do que os outros irmãos, se tinham alguma denúncia a fazer ou se eram o próprio dono encarnado no sapato depois de sua morte? Disso só um clarividente pode saber, mas eu também com a força da minha imaginação posso viajar até seus mundos e descobrir seus mistérios, mesmo se alguns detalhes ficarem um pouco mais fictícios e saborosos.

Então, quando alguns de vocês forem em algum brechó comprarem alguma roupa em especial, tentem navegar ao mundo anterior daquela “blusa encarnada”, tentem buscar os momentos felizes ou tristes, enfim, perguntem para a sua intuição se “ela” por acaso não trás uma sorte especial para suas aspirações amorosas. Nunca se esqueçam, um objeto como uma roupa sempre pode ser a ideal confidente de nosso estado de humor e pudor e, quando conferimos poder a algo, estamos conferindo poder a nós também.

Tarot: uma arte arquetípica.


O que fazer quando se acorda super cedo de manhã e bem disposta para um longo dia que vem pela frente? Com certeza é fazer ritual, abrindo com delicadeza o baralho matinal. Bem, ultimamente o tarot está sendo um grande suporte para a minha imaginação diária. É uma arte imaginativa embebida dos símbolos mais antigos do que a descoberta da América de onde aqui estou. Um estudo contemplativo na qual eu posso navegar pelos 7 mares de copas, pelas 7 maravilhas de espadas, pelos 7 planetas de fogo e até pelas 7 cores de ouros, tudo sem precisar sair de casa, pois tenho o ticket de volta guardado pela grã-sacerdotisa protetora dos viajantes.

A admiração a esta arte está conectada às suas representações sugestivas, nas infindáveis variedades de aspectos personificados em números, elementos como em temas universais, apesar de muitas vezes a admiração principal dos curiosos limitarem-se exclusivamente para a vidência da mesma. Eu prefiro acreditar no Tarot como válvula de escape do intelecto criativo, tornando a compreensão humana mais visual e abstrata para os dilemas da vida, ou seja, novas definições para novos comportamentos em qualquer situação seja aqui ou na China. É um grande jogo na qual Alice ganha, Jung ganha, e a rainha de copas à beira-mar tornar-se grande referência-coração das grandes estórias.

O meu portal para a fantasia vive às 5 da manhã até o último raiar da aurora turbinar chuveiros e carros por toda Brasília, e, findar assim, a melhor alegria do melhor horário do novo dia. Não é muito legal?!

=]

domingo, 28 de março de 2010

IT'S MY TIME


O concurso It’s my time da Benetton foi uma das melhores experiências virtuais que tive este ano. Primeiro, porque você conhece rostos maravilhosos com alma criativa de todas as nacionalidades e vê que eles têm muito mais em comum contigo do que você pensava. Segundo, porque você fica realmente amiga destas pessoas coloridas, troca facebook, admira e elogia o quanto eles são especiais e recebe dobrado o reconhecimento. Depois, nota que muitos deles são grandes novos artistas das futuras gerações, com muito a oferecer ao mundo de originalidade e carisma, aliviando-me de saber que eu não sou a única.

Muitos deles são engajados com artes plásticas, música, moda e atitude. Outros são apenas pessoas normais com fotos normais de poses normais com flashes no mesmo ângulo de rosto, que não deixam de serem especiais também ao mostrarem-se prestativos com a novidade virtual que uniu todas as raças envolvidas neste grande sentimento de integração. Tudo bem que no começo o concurso era uma competição que escolheria os 100 mais votados do casting, vencendo apenas 20 por escolha do júri, estes recompensados com a viagem para NY inclusa a sessão de fotos com um dos melhores fotógrafos do mundo. Que maravilha até aí!

Durante a “guerra” era uma louca correria de votos com o lema “vote em mim que eu voto em você”, tirando o sono de muitos competidores na última semana, o que pudemos presenciar tudo de pertinho. Mas depois que a luta terminou e foram escolhidos os 20 de 65 mil inscritos, tudo mudou. O site continuou em aberto divulgando nos blogs mais novas curiosidades para o conforto dos fiéis e alegres perdedores e, que ainda estão sendo atualizadas até hoje. A única esperança que eles nos deram, é que vem mais coisa boa por aí. E eu quero estar junto quando for divulgada alguma nova oportunidade. After all, I’TS MY TIME... que tem se mostrado uma divertida vivência em inglês do Brazil para o mundo e do mundo para o Brazil em inglês.

sábado, 27 de março de 2010

O mês 3.

Há exatamente um ano atrás, participei do Festival de Teatro de Curitiba com a peça “Pela passagem de uma grande dor”. Quatro dias de apresentação e o resultado teve seus méritos, pois foi um sucesso de público, de união, de experiência coletiva e de novos começos. Como atriz, com certeza eu não estava inteira, não tive nenhum canal próprio de estudo, e levei as personagens com um total desleixo e falta de confiança, o que muitos espectadores puderam notar na execução encenada. Como resultado da negligência, o diretor me deu umas cutucadas nas minhas maneiras interpretativas, me deixando bem frustrada.

Este fato aconteceu na primeira tarde de peça, na estréia, e como estávamos na boca do festival, resolvemos ficar no centro o resto do dia. Eu e mais três amigos, que também estavam participando do festival, convidaram-me a bater um papo na Casa Lilás balanceando os prós e contras do primeiro dia de peça. De papo eu não estava muito afim e nem tinha muito a que comentar na mesa, restando-me como refúgio tirar uma caneta e um papel que eu tinha na bolsa e disparar em desenhos desconexos e sem nenhum fim em si. Os desenhos foram aleatoriamente tomando vida, e eu me animando com prazer em trazer mais vida a eles. E foi assim que tudo começou e onde a paixão nasceu.

As horas passaram, a eles só tinha que ir embora, como eu também tomando mesmo rumo, mas ainda latente aquela vontade indomável de continuar desenhando. Tinta e papel eu ainda tinha era muita. No trajeto de volta pra casa, refleti num ímpeto desejoso de desviar o curso pela alternativa muito mais audaciosa: a de ir me sentar nas mesas do memorial e continuar desenhando. Felizmente, foi assim que os desenhos nasceram dentro de mim: quando eu estava me sentindo a mais impotente e triste de todas.

Fui apenas tentando como contraparte ouvir as minhas imagens internas com a caneta e o papel, decifrando assim os códigos emocionais. Desenhar é alquímico! Quando se cria, tudo se transforma. Temos que nos permitir sofrer às vezes pra trazer novidades a nossa vida, ou seja, permitir-se sempre ser apenas você: imperfeita e inovadora.

Hoje é dia 27 de março, a data universal do teatro. No mês das mulheres, despontando ensolaradamente uma nova estação. Na noite do dia 27 tem que apagar as luzes por uma hora em homenagem a Mãe-Terra, não se esquecendo que é o mês de receber os sinais que só dizem respeito a cada um de vocês.

O gato dos meus sonhos.

Se um sonho arquivado meu pudesse se realizar, com certeza seria o de ter como companhia diária este elegante gato preto chamado Bóris. Pra quem conhece este gato, sabe que ele é personagem constante das largas tardes no Largo da Ordem. Sabem alguns, também, que ele é filho das duas velhas senhoritas donas do sebo do Largo. Porém, a verdade é que ele é filho da região inteira. Todos que passam e transitam, logo parecem encantados com a docilidade desinteressada deste nobre gato e, quando ousam saber seu nome, o encanto triplifica por mil, afinal, um gato com nome ardiloso vivifica uma impressão muito familiar vinda de livros de contos fantásticos. E quando eu o conheci pela primeira vez foi apenas a confirmação de todo o maravilhamento de seu peludo semblante.

O triste é que eu só acho que vou ter um típico legendário Bóris só depois de ter viajado muitos países, morado ainda em muitos lugares e me estabilizado com algum tipo de situação dependente. Aí sim, vou poder ter uma casa bem aprazível, num país que se pareça comigo, na frente de uma lareira e com uma cia Bóris inesquecível. Até lá quantos anos vão ter se passado? Ainda não sei, mas espero pacientemente por este grande dia, pois ainda estou construindo alicerces e aproveitando a imaculada juventude - a de se construir com passos largos uma trilha sonora por vez.

Uma estória engraçada, é que numa véspera de ano novo há uns quatro anos atrás, estava eu na casa de amigos que tinham uma gata persa branca, cuja companhia foi a de dormimos juntos na sala numa certa noite. Logo de manhã, com os primeiros raios de sol trazendo ventos frescos, a gata estava basicamente em cima de mim, e quando eu acordei para ver o que se passava, a gata devia estar me encarando dormindo pelo menos umas boas horas afinco, o que me deixou muito assustada olhando-me com aquelas pupilas de ágata penetrante, não tenho dúvida que mexeu com as minhas disposições futuras.Gatos são inesquecíveis!

Os gatos completamente são cheios de uma vida própria, seres inatingíveis e indecifráveis e inspiradores, sem dúvida trazem mais admiração através da personalidade.. Mas eu gostaria de saber a façanha que eles têm de construir grandes bolas de pêlos. Cada lambida deve ser uma estréia ao seu asseio de independência aveludada.

Em homenagem a eles, hei de indicar uma poesia em homenagem a estas femininas criaturas, criada nada mais nada menos pelo mestre Baudelaire: LES CHATS.

Apaixonados fervorosos e sábios solitários

Amam da mesma forma, ao chegar a maturidade,

Gatos fortes e suaves, sua última felicidade,

Que como eles são friorentos e sedentários.

Esses amigos da volúpia e da ciência

Buscam o silêncio e o horror dos comentários;

O Érebo os teria por seus fúnebres emissários

Se fizessem do orgulho subserviência.

Adotam enquanto pensam nobres atitudes

Grandes esfinges no fundo sem virtudes,

Dormindo num sonho que nunca termina;

Seus rins fecundos, de fagulhas mágicas,

De partículas de ouro e de areia fina,

Estrelam vagamente suas pupilas trágicas.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Amarelo Itinerante.


Gostaria de expressar alguns sentimentos que vivi neste começo de 2010, ano que marcou um florescimento gradual dos girassóis internos, processo que começou desde Palmeira, cidade no interior do Paraná. A convite de uma amiga especial, me senti honrada a ir a esta cidade um tanto hospitaleira e excêntrica. Até chegar em Curitiba, não imaginava ainda o que me aguardava, só pensava em estar inteira a tudo o que um "ano novo" bem simples e caseiro tinha a me oferecer. Eu já começava a principiar algo novo surgindo no meu coração, mas não sabia dizer muito o que era, pois era baseado em estímulos e imagens visuais recebidos das brisas com cheiro do mundo. O desembarque e as boas-vindas foram bem fraternais. Crianças, vovôs e titias, todos receptivos e curiosos com as novas visitas. E quando se resume a gente nova no pedaço, sempre tem aquele sabor de espontaneidade na primeira impressão. Começa a nascer diálogos aleatórios que vão preenchendo nossa imaginação de muito bom humor e receptividade desinteressada, fazendo-se as primeiras impressões recebidas: a de se sentir realmente parte da família. Era como se eu fosse uma prima distante que estava curiosa de saber as notícias catalogadas nos últimos 10 anos. Pra todas estórias, sempre há o mensageiro das novidades fresquinhas, aquele que conhecia todos na cidades e fazia você conhecer também, não perdia a piada pra nada, nem mesmo ao mostrar seu álbum de casamento apontando todos os parentes convidados, dizendo sucintamente um pouco de cada um. Uma primeira impressão de apenas poucas horas na qual você já pode relaxar a coluna e perder a vergonha. E foi assim num total aconchego de conversas recíprocas que fomos presenciando as últimas horas do dia 31. Quando chegou a contagem o frio já foi dando as caras e o vento já estava ativo e movimentando-se pelas casas para dar as boas notícias do ano novo. Com certeza, a parte mais divertida da preparação do ano novo foi se arrumar entre amigas, estreando algum vestido novo e abusar na maquiagem, absolutamente, essa é uma sensação muito estimulante para se passar a madrugada em claro: estar bonita, sorridente e bem-acompanhada. O resto eram apenas flashes e mais flashes. Mas o "ano novo"não se resumiu a apenas aquele start de transição de ano, mas como todos os longos dias vividos naquela cidade. Foi tudo muito vivo, dinâmico e extremo aproveitado, pois nada me escapa. Uma fagulha de momento soou uma vida. E não é em vão que destaco um girassol como grã-símbolo de Palmeira, afinal, por onde eu olhava, tinha algum girassol estampado seja na arte, seja nas sementes comidas, sejam em algum jardim ou até naquele imperdível olhar. Tudo era motivo para ser e viver girassol. Tudo era muito mais intenso e afiado comparado a um "ano novo" badalado em mais uma repetida multidão festiva de champanhe, como tudo era muito mais prazeroso, comparado a férias na praia com uma galera bebendo durante uma semana e só pensando em libertinagem, tudo era muito mais que isso: pois tudo foi vivido internamente, foram dias abraçados pela alma e elevados ao coração. Foram dias de consagração, e olha que nem precisei à igreja pra me benzer, a cidade inteira já era um templo de iniciação. Só para se ter uma idéia da magnanimidade da localização, os vizinhos não eram mais nada que uma árvore de uns 70 anos chamada "árvore cheia", uma pequena pracinha bem antiga centralizando a rua, dando viés a um antigo cemitério de escravos africanos do século passado. Logo embaixo, referência ao patrimônio histórico da cidade, existia uma misteriosa casa colonial, onde segundos diziam, a própria Princesa Isabel já esteve com os escravos, e que até hoje continua sendo habitada pelas almas penadas. Quer vizinhança mais interessante que esta? Não há dúvida! Na minha memória estampa outros detalhes surpreendentes que não podem ser ditos, são pra serem sentidos. Detalhes que ainda vagam no meu depósito de sensações vira e mexe, outrora, me estimulam a viver como um girassol: sempre amarelo. Quando nada muito se espera, tudo se recebe, pois sempre há recompensas, sentidas ou materializadas. Isso é apenas o começo minha gente! Viva a despretensiosidade!

quarta-feira, 10 de março de 2010

FleurBelleSoeur

Quem não conhecesse esta artista excepcional, juraria que esta mulher composta pelo cenário florido fosse apenas mais uma modelo mexicana representada num tema folclórico de seu país, em apenas mais um simples ensaio fotográfico feito na França. Fiquem sabendo, porque todo o cenário já é o próprio interior desta pintora, assim como seu próprio estilo habitual de se vestir. Pois bem, os Franceses ficaram tão intrigados pela originalidade tamanha desta mulher exótica, que não a deixaram escapar, e, lhe fizeram todo um santuário em prol de sua feminilidade popular. Conseguiram-na transformar em logomarca para todo o mundo. Frida Kahlo foi apenas mais uma nova curiosidade, algo pra se inspirar esteticamente aos olhares dos cosmopolitas. Para aqueles que aspiram ventos fortes, sabem que ela foi mais do que isso, que toda a sua trajetória de vida, somada as suas obras, serviu de exemplo a muitos corações que se espelham ao seu sofrimento e evolução. Quando reflito suas obras, logo o meu coração dispara e minha imaginação cava o terreno em que se encontra sua solidão, lá onde uma grande Deusa solene se estende benévola as suas súplicas carentes de amor humano. Não se pode negar, sua originalidade foi a de ser fiel aos seus próprios símbolos. Sendo que ela é referência não-contaminada da sociedade que vivemos. Seu semblante vive universo que aspiro e consagro como meu. Somos partes de épocas separadas, ao mesmo tempo, sou sua confidente de outras épocas vividas. Em outras vidas coloridas, onde a ligação com a Deusa sempre será símbolo de nossa natureza feminina, nosso santuário (cenário) florido aos olhos do mundo, abençoado na cidade mais feminina que há: Paris. A cidade das mulheres-flores.

terça-feira, 9 de março de 2010

Marinheira de Primeira Viagem.


Vou levar este texto como um cartão de boas vindas, um singelo depoimento sobre o perder da vergonha de escrever, e, ao mesmo tempo, sobre demonstrar quais são os meus reais e assentados sentimentos que me levaram a fazer este blog. Toda a consciência deste aflorar da expressão eu dedico às minhas inestimáveis experiências pessoais e coletivas, ao vivenciar de verdade momentos de entrega ao mundo, das cruéis indecisões que me embotaram a mente por tantos anos, da vida dispersa e impulsiva que me aventurei e me decepcionei em tantas divagações sociais. Hoje sou um exemplo de mim mesma, pois aprendi a agradecer todos os erros e tentativas que me envolveram e que eu nunca enxerguei e aceitei, por uma certa falta de auto-conhecimento. Simbolizo este encontro comigo e com estranhos e queridos leitores como uma parceria de comunhão e estabilidade entre uma nova geração que está por vir. Uma reafirmação de laços de irmandade onde a arte imita a vida, com dosagens sutis de elegância e estilo.

O objetivo mais constante que me deteve a elaboração do blog, foi a importância da amizade como vínculo mais precioso de se materializar sentimentos. Me refiro amizade no termo de simpatia e afeição pela vida, não necessariamente ser só por amigos, mas por toda uma riqueza de seres vivos sedentos de amor e reconhecimento. Minha coleta durante estes meses em leituras e experiências de solitude apenas confirmou estes objetivos e, seus resultados, com certeza, são transformadores. Por dentro e por fora, podemos chamar isto de presentes e valores, que a natureza nos recompensa da maneira mais digna possível.

Dedico também a minha amiga Thuany, fruto da colheita mais produtiva que já tive em tantas semeaduras. Um verdadeiro espelho do coração modelado em apenas uma linda mulher de grandeza e espiritualidade elevada. Acreditem se quiserem, mas é uma pessoa voltada pro futuro, pois temos uma amizade telepática cheia de sincronismos e coincidências que ultrapassam a compreensão humana racionalista. É amizade ancestral e cheia de novos olhares, pois nunca paramos de nos surpreender com os presentes recebidos da vida. Não cansamos de aprender o que as nossas projeções e furadas tem a nos ensinar. Chega a ser até uma terapia em grupo esta mania do compartilhar sincronizado. É realmente engraçado e excêntrico pra falar a verdade, o que me encanta bastante. E criatividade nem se fala, é quesito necessário para qualquer conversa. Assuntos sérios ou ninharias bobocas precisa de vários neologismos ou improváveis definições. Bem, ela também foi um objetivo, pra não dizer estímulo pra este-fazer blog.

Sempre gostei de escrever, mas nunca me achei capacitada. Achava que escrever precisava fazer faculdade de letras, ou, no mínimo ter lido uns 200 livros por ano. Tinha vergonha, portanto, de sempre achar que não saberia escrever bonito para as pessoas lerem e criar julgamentos. É parte da minha natureza insegura, tadinha, ela nunca se acha necessária. Se cobra demais a ponto de nem chegar a tentar. Depois que aprendi o que significa aceitar tudo isso criado por mim mesma, sem dúvida, aprendi também o significado de ousar e assumir o compromisso de ser necessária pra mim e para alguém. E é um alívio, pois não posso negar esta necessidade de ser um canal de expressão, já que estava cravado na minha alma como inerente paixão até então não assumida. E hoje eu assumo. Saravá!

Estou muito satisfeita com a fundação do céu de utopia como nome do blog. Peguei emprestado de um trecho do meu livro preferido do Baudelaire (Flores do Mal), que diz assim:

"...Como um navio que se espelha/ No vento do novo dia/ Minha alma sonhadora aparelha/Para um céu de utopia..."

É em homenagem a todos os poetas e livres pensadores a fundação deste habitável título composto até agora por mim, mas quem quiser postar é só falar comigo, novos rostos são sempre bem habitáveis também. E viva a irmandade da expressão!

Um bom dia imperativo pessoal.