domingo, 29 de agosto de 2010

Manhãs-crepúsculo.

Acordei esta manhã, ainda com olhos fechados, me acabei pensando um pouco desanimada a mesma coisa que penso todas as manhãs: é Fefa, hoje você também não conseguiu, já está se acostumando hein menina com a idéia de que poderá só acordar às oito horas da manhã em diante. Que seja mais um dia comum, onde você só conseguirá aproveitar sua solidão com horas a menos, até que todo mundo acorde, e “Au revoir” querido ficar só. Mas depois de mentalizar este triste hábito, abri meus olhos, e não acreditei: tudo ao meu redor estava em volta da mais amada luz azul do crepúsculo das 6 da manhã e eu com uma disposição de pureza espírito que há tanto tempo almejava. Por agora estou feliz, vendo neste momento o adorável encontro entre a aurora e o escurescer, sem nenhuma preocupação na mente, esquecendo-me que sou humana, esquecendo-me que tenho rosto, esquecendo-me até de que conheci algum indivíduo nesta terra. Torno-me legendária, atravesso um portal pela minha simples visão e transcorro a época de todos os tempos. Este ambiente não só pulsa a alma, mas atinge-a numa total familiaridade, pois é impagável respirar a brisa deste espaço calmo, com nuvens “Vanilla Sky” e com um aspecto domingo sacro maravilhoso. É como se eu saísse da realidade comum de onde vivo, e me transportasse para uma atmosfera de sabedoria e completude das horas, podendo me sentir (como há muito não sinto) centrada, pés no chão, não deixando de desfrutar com a brisa inebriante os meus mais nobres pensamentos. E a minha solidão é muito sortuda por esta envolvida por este privilégio, e pede, e louva, para que este momento solene possa vir todos os dias. Então, me permito saborear o café com mais dignidade, perfumar o ar com cheiros amadeirados para que crie se uma ponte na memória entre os sentidos e a contemplação, e me promover a uma sessão-escrita que é um dos hábitos mais ricos do mundo que se pode ter num horário como esse. Como foi tudo natural, não me forcei a ter esta experiência, até porque nunca uso despertador. Pois que agradeço - obrigada vida, por te me proporcionado este momento precioso de saber me entregar a esta vivência desperta. Saiba minha querida vida, que este é o meu horário preferido, e há de sempre ser. Ah agora eu sei o que é a palavra Lar, posso senti-la. E tenham um ótimo dia, porque com certeza eu terei, em todas as raras manhãs-crepúsculos que enlevam a minha existência. Que doces canções (L)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Simetria dos Significados.


Há umas semanas, me criei o hábito de ler dicionários. Hábito que virou respeito pelas palavras e seu universo de significados. Como dizia Tolkien, primeiro a palavra, depois a estória. E foi através deste folhear diário de A a Z que pude fortalecer meus sonhos mais íntimos. Agora, como sou uma iniciada do reino das definições, qualquer frase, citação ou estória tem mais carga energética como nunca teve em meus 15 anos de ensino escolar.
Teve de haver um certo desprendimento, porque a escola deturpou toda a imagem sagrada que a escrita é, deixando-a numa realidade vulgar para minha imaginação mal refinada da infância. Eu tive que me próprio auto-iniciar neste meio, não houve nenhuma ajuda ou influência externa (tirando os livros), porque auto-didatismo há de ser sempre a saída mais satisfatória para mentes inquietas e ambiciosas como a minha. Até o ato de carregar este mini-amigo-das-palavras dentro da bolsa, pra mim, pelos menos, já é um símbolo da boa-sorte.

Me identifico intensamente com os dicionários - são autonômos, satisfazem dúvidas, estão agregados ao um estado puro de criação, pois não há autor, além do que, há muitas palavras de origens russas, gregas, tupi, latinas e francesas (galicismos), que facilitam a língua portuguesa num padrão mais universal. Por exemplo, a palavra "FANTASIA" do grego, "PHANTASIA" tem o significado "TORNAR VÍSIVEL" ou "CAPACIDADE IMAGINATIVA", ou seja, há um significado muito mais transcendente do que um simples devaneio. No meu ponto de visão, fantasia é uma faculdade mental que pode ser explorada e aperfeiçoada por qualquer ser humano, desde que esse esteja consciente a esta aptidão. É como meditação, você visualiza um ponto ou uma imagem "o vazio", e deixa este estado ter vida própria dentro da sua imaginação, podendo o mentalizador atuar consciente ou inconsciente nestas esferas. Por isso, "o tornar vísivel" compreende e se relaciona facilmente as minhas próprias percepções. Fantasias criam formas-pensamentos, que em muitas ocasisões, me fazem lembrar o mundo das idéias de Platão. Quando estamos apaixonados por alguém, projetamos imagens do tipo ideal desta pessoa dentro de nossas mentes, formando-se assim, formas-pensamentos platônicas. Essas são as formas-pensamentos que a maioria da população (massa) cria para si, pois está dentro do contexto das necessidade de carência do ser humano. Porém, existem formas-pensamentos mais audaciosas, como o exemplo dos grandes gênios sedentos por respostas para os seus inventos. Estes adentram tanto a esta capacidade mental, instigam-nas a uma intensidade tão profunda e rara, que, consequentemente, as respostas (os presentes) são dados de uma maneira jamais vista, como se uma grande árvore chegasse com suas raízes ao centro da terra ou suas copas crescessem até a imensidão do céu. É incrível, não posso deixar de admirar como as faculdades da mente do ser humano (fantasia) se utilizadas para fins evolutivos, podem mudar todo o transcurso da humanidade. Como diria uma citação, filhos prodígios são cujos pais possuem muita imaginação. E a imaginação logo está ligada aos sonhos que são os nossos desejos de "TORNAR VÍSIVEL". Então, se pararem para pensar um pouco, o universo das palavras é o meio ideal para nos entendermos melhor como seres humanos e nos conscientizar do poder que temos de "fazer as coisas". Saber ir a um "MUNDO INTERIOR" e voltar logo em seguida com as respostas do "TORNAR VÍSIVEL" é algo que talvez pode e deva fazer parte de qualquer indivíduo mentalmente saudável.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Blue no azul do dia e da noite.



Bem, esse desenho é sobre todos os sonhos azuis que tive. Todo o mundo mágico que essa cor em especial me trouxe, com amigos, amores e liberdade. Do anil das flores soltadas pelo vento, atraída pelo odor suave de poderosas sereias orientais. Das cores pálidas de outono, do universo subterrâneo de Alice, dos pássaros seresteiros que não param de cantarolar e alegrar as manhãs de café com livros na mesa ou das tardes de chá e de risos no sofá. É navegar em paz no ocêanico azul ou nas piscinas cristalinas de água fresca. É ficar uma hora contemplando um livro antes de lê-lo e folheá-lo imaginando que tipo de estória vai ser contada. É pensar se o dia de hoje tem uma pegada mais jazz ou uma batida mais rock. Esperar a noite.. a noite de lua-cheia e se arrumar entre velas e espelhos, sem precisar sair de casa, na companhia do eleito vinho engarrafado com as venezianas abertas onde o ar é ventilado em perfume de jasmins. Os amigos costumam chegar como se fossem perseguidos por esta atmosfera sagrada e logo pensam que esta casa é o lugar ideal para se embebedarem pela arte do diálogo. Saber com que pessoas querem estar, com que tipos de estórias merecem ser lidas, que tipo de momento deve ser contemplado, quais imagens encaixam melhor em nosso Lar, só um leve azul deve conduzir-nos para tal reflexão. São as realidades dos tons que que escolhemos, que pertencem a um dia de cada vez. Não se pode querer nada mais. Apenas um leve desfrute das horas. Paz.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Corujeira na Terça-Feira.


Hoje é dona Terça-feirante. Terça do dia 3. Um número incrível, afinal, em muitas ocasiões é associado ao universo feminino, a Mãe, o Lar, o Verbo e as expressões artísticas, pois é um número manifestante com ou sem fins lucrativos. E se formos calcular, ao nosso querido ano de 2010 também se pode relacionar o amado três (2010 = 2 + 1 = 3 ). Porém, se for sentir como uma mulher, bem... eu posso dizer que o três está fazendo alguma diferença, pois, se o universo é geométrico e baseado em números, o meu universo interno baseado em "feminilidade" até que tem um aspecto 3 de ser. Então, é assim que é.

A associação de idéias que faço a minha fase de agora é que, atualmente vivo com a minha mãe e, parece que desde que estou morando com ela há um ano, minha sensibilidade aumentou como se realmente eu me sentisse de salto alto, até porque, não tenho tanta preguiça de me sentir bonita como antigamente. Por esta evolução desmistifiquei certos ideais de que ser bonita é ser fútil. Acredito que a mulher tem que ser completa e fazer aquilo que gosta, definindo seus padrões, moldando o seu gênio à sua elegância de andar, conversar, amar e saber seus limites perante aos outros.

Porém, o mais audacioso para o universo madre-perolado da mulher é saber com que Deusa grega ideal ela se encaixa no devido momento, e dentro desta estrutura arquetípica podemos citar elas, as Poderosas Deusas Afrodite, Héstia, Hera e Atenas. Particulamente, com excessão da Deusa Hera (que é casada e ciumenta) já vivi todas, e neste exato momento nunca me senti tão Atenas. Essa Deusa representa a ligação entre a Arte e a Ciência, tendo como símbolo a coruja protetora do intelecto instintivo. Ela é a formadora espiritual dos audaciosos discípulos que sempre estão refinando o caráter de suas mentes, transformando-os assim, em grandes artistas universais. Eu sei que é modesto tentar parecer com tamanha celebridade, mas ela me dá a força necessária para continuar. Então, que seja ela a eleita ou eu a sua escolhida.

Concatenando um pouco além, não posso negar que me sinto um pouco Héstia, pois me satisfaço na solidão desta deusa representada pela Lareira, que é um símbolo extremamente feminino e mágico.No sentido esclarecedor, a Lareira é centralizadora, pois reflete o nosso próprio espírito, é o momento da descoberta de si, o silêncio, e das atividades cotidianas que te mostram um pouco da simplicidade da vida, nos tornando mais passivos e humildes com relação a nós mesmos. Como diria Fernando Pessoa, há uma certa liberdade no isolamento. Héstia é a representação desta consciência isolada e acalentadora.

Agora, pra fascinar estas observações endeusadas digo que Afrodite é uma poderosa Deusa de nos lembrar por quantos tipos de maneiras nós podemos amar e se apaixonar por algo ou alguém. Ela é a Deusa das “relações”, não apenas símbolo da sedução e da Arte, pois sedução não é simplesmente algo sexual, mas algo que atrai, envolve, encanta e conquista. Afinal, estes não são os verbos-chaves para se ter um grande amor? E amor não só por um parceiro do sexo oposto, mas pelo que faz e pelo que vale a pena viver. Afrodite ficará feliz quando sentir que você está realizando um sonho que nasceu da alma e sempre te apoiará na sua jornada. Sem falar que é uma ótima amante nas horas vagas, e sintam minha gente, sua vida sexual é baseada em sensações bem realizadas. A Afrodite que está em você não apenas envolve, ela nutre e refina o seu estado de experimentar e inovar, onde os cinco sentidos são aflorados em harmonia com direito até doses de bom humor pós-sexo. Afrodite não é só prazer por prazer, pois ela é uma Deusa, e esta Deusa em especial está dentro de você pedindo para que seus prazeres e sonhos tenham propósito. Mulheres com toques afroditizados tem o direito de experimentar tudo o que seu corpo e alma sorri. E se é sexo, que seja! e se com sonhos, que beleza! e se for sem sexo, não importa! amizade está em tudo. Afrodite sempre estará presente na ARTE, porque arte é a expressão de como as coisas são sentidas. Daí a Atenas chega e traz a TÉCNICA para que tenha mais destreza em saber se expressar sentindo. A coruja deixa o caminho livre pra seguir.

Então, nestas observações sem começo ou fim, apenas com um simples deixar levar sobre números, símbolos e arquétipos, posso agora refletir de quão bom esse legado grego foi deixado. Até parece que meus sonhos e idéias junto com estas Deusas tem mais semelhança, o mundo fica menos irreal, a fantasia é mais madura de se associar. Os critérios são dignos. Temos um lado delas em cada uma de nós. As deusas não são algo fora de nós, elas estão dentro. Assim como os grandes gênios são associados às crianças. Nós também temos formas de Deusas e animais em nossa quintessência esperando para serem descobertos. É só definir.

Ser corujeiro é uma expressão antiga que significa pessoa agradável, bacana, vistosa. Desde um sonho que tive há semanas atrás, sou bastante apaixonada por corujas. Sonhei com uma coruja branca, ela parecia muito com a da foto, e eu amava ela tanto. Corujinha amiga minha, venha me visitar mais vezes. É as mulheres universais que exprimo minhas palavras de hoje, mas com carinho especial dedico a você minha protetora Corujinha este post. (L)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Criar é um ato pessoal

Já faz algumas semanas que eu ando numa vontade "de fazer alguma coisa nova". Em minha vida toda talvez essa foi a vontade mais latente, a vontade de explorar e inovar sempre. O problema é que muitas vezes eu deixava essa vontade minha calada e ainda a costurava a não se pronunciar. Inevitavelmente, contaminava-me com vontades alheias. Seja na alimentação ou formas de pensar, comportamentos, manias, e claro, as famosas crenças. My lord, desde que mundo é mundo, sabemos que existem muitos seres sanguinários que adoram injetar seu estilo politicamente correto na veia de inocentes mortais. Se você é do certo ou do errado, do bem ou do mal, do débito ou do crédito, puxa-saco ou autoritário, QUE SEJA, abram sua mente. Vejam a vida com um óculos menos julgador para interpretarem deste certo ou errado uma terceira nova coisa, que tenha vida própria e que seja um pensamento só seu atribuído às suas próprias experiências. Minhas experiências sempre comprovaram que eu me deixei levar demais e que não me ajustei nem um tiquinho a estes valores ultrapassados. Que no final, tive que me libertar e dar margem a um certo "potencial" humano que tem mais valor para um indíviduo verdadeiro do que um cidadão e suas crenças - que é a de se entregar a vida e viver um relacionamento completo onde você estará inteiro para transformá-la em um OBRA jamais previsivelmente vivida onde tudo é possível, e todos os sentimentos são nobres. Não importa se você tenha que errar muito nas situações, ou tenha que ficar três dias em completa escuridão que nem o querido Lord Jesus passou seus três dias no inferno antes de ressurgir. Desde que há entrega, sempre há uma recompensa. Então, se quer alguma coisa nova a fazer, aprenda a receber. Ter vontade de explorar e fazer nascer algo só seu, precisa destruir para recriar. Somos deuses e não sabemos, temos vontades incríveis e as calamos. Tá na hora de reeverter os pólos do discernimento.

Bom dia. Obrigado a todos aqueles que têm apoiado e me ajudado de todas as diferentes maneiras. Amigos, gestos, meu inner man interior, minha tender lady interior, família, minha little child interior a continuar recheando meu universo de boas experiências sejam na arte ou na vida. Sempre.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Os três orfãos.

Um homem com três filhos morreu de doença. Os três filhos se tornaram três orfãos. Certo dia o mais velho disse:
- Irmãos, estou de partida. Vou em busca de fortuna.
Chegou a uma cidade e começou a gritar pelas ruas.
Quem me quer como empregado
Considere-me contratado!
Um grande senhor se debruçou num balcão.
- Se fizemos um acordo, contrato-o como empregado.
- Sim, dê-me o que quiser.
- Mas eu quero obediência.
- Eu eu vou obedecê-lo em tudo.
De manhã, chamou-o e lhe disse:
-Tome, pegue esta carta, monte nesta cavalo e parta. Mas em nenhum momento toque nas rédeas, pois, se tocar nelas, o cavalo retorna. Basta deixá-lo correr, porque ele sabe conduzi-lo até onde a carta deve ser entregue.
Montou no cavalo e partiu. Galopa que galopa, chegou à beira do despinhadeiro. "Vou cair", pensou o orfão, e puxou as rédeas. O cavalo se virou e regressou ao palácio num piscar de olhos.
O patrão, vendo-o regressar, disse:
- Viu? Não foi aonde eu tinha mandado! Está despedido. Vá até aquele monte de dinheiro, pegue o que quiser e desapareça.
O orfão encheu os bolsos e foi embora. Assim que saiu, rumou direto para o Inferno.
Vendo que o irmão mais velho não retornava, o segundo dos orfãos decidiu partir também. Percorreu o mesmo caminho, chegou à mesma cidade e também ele começou a gritar:
Quem me quer como empregado
Considere-me contratado!
Aquele senhor se debruçou na janela e o chamou. Puseram-se de acordo e, pela manhça, deu-lhe as mesmas instruções que ao irmão e o mandou com a carta. Também ele, assim que chegou à beira do despenhadeiro, puxou as rédeas e o cavalo retornou.
-Agora - disse o patrão -, pegue quando dinheiro quiser e suma!
Ele encheu os bolsos e partiu. Partiu e foi direto para o Inferno.
Vendo que nem um nem outro irmão voltavam, o irmão caçula partiu também. Percorreu o mesmo caminho, chegou à mesma cidade, gritou "quem me quer como empregado considere-me contratado", aquele senhor se debruçou na janela, mandou-o subir e lhe disse:
- Dou-lhe dinheiro, de comer e o que quiser, desde que me obedeça.
O orfão aceitou e de manhã o patrão lhe deu a carta com todas as instruções. Tendo chegado à beira daquele despenhadeiro, o moço olhou pra baixo, arrepiado, mas pensou: "Que Deus me proteja", fechou os olho e, quando os abriu, já estava do outro lado.
Galopa que galopa, chegou a um rio largo como um mar. Ele pensou: "Vou me afogar, o que posso fazer? De resto, estou nas mãos de Deus!". Nisso, a água se dividiu e ele atravessou o rio.
Galopa que galopa, viu uma enxurrada vermelha como sangue. Pensou: "É agora que me afogo. De resto que Deus me proteja!", e se lançou para a frente. Diante do cavalo, a água se dividia.
Galopa que galopa, viu um bosque, tão denso que por ele não passava nem sequer um passarinho. "Aqui me perco", pensou o orfão. "De resto, se eu me perco, perde-se também o cavalo. Que Deus me proteja!", e seguiu adiante.
No bosque, encontrou um velho que cortava uma árvore com um talo de uma veia.
- Mas o que está fazendo? - perguntou-lhe. - Pretende cortar uma árvore com um talo de uma aveia?
E ele:
-Diga-lhe mais uma palavra que eu lhe corto também a cabeça.
O orfão fugiu a galope.
Galopa que galopa, viu um arco de fogo com dois leões, um de cada lado. "Agora, se passar pelo meio me queimo; mas, se eu me queimar, queima-se também o cavalo. Adiante, que Deus nos proteja!".
Galopa que galopa, viu uma mulher ajoelhada numa pedra rezando. Lá chegando, o cavalo parou de repente. O orfão entendeu que era aquela mulher que devia entregar a carta, e a entregou a ela. A mulher abriu a carta, leu, depois pegou num punhado de areia e a jogou para o alto. O orfão montou de novo no cavalo e tomou o caminho de volta.
Quando chegou à casa do patrão, este, que era o Senhor, disse-lhe:
- Saiba que o despenhadeiro era o barranco do Inferno; a água as lágrimas de minha mãe; o sangue, os de minha cinco chagas; o bosque, os espinhos de minha coroa; o homem que cortava a árvore com o talo de aveia era a Morte; o arco de fogo, o Inferno; os dois leões eram seus irmãos, e a mulher ajoelhada, minha mãe. Você me obedeceu: pegue quantas moedas de ouro quiser.
O orfão não queria nada, mas acabou pegando uma única moeda e se despediu do Senhor.
No dia seguinte, quando foi fazer compras, pagava e a moeda permanecia em seu bolso. Assim, viveu feliz e contente.

Fábulas Italianas - Ítalo Calvino.

Bom dia imperativo pessoal pra todos vocês.

Fefa Românova.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Era uma vez... (parte 3) Trilogia!


Viu fumaça e chegou a uma casinha coberta de fuligem, numa garganta escura, cercada de precípicios. Bateu.
- Quem está batendo? - perguntou uma voz de velha.
- Um pobre cristão que busca asilo.
A porta da casinha se abriu e uma velha decrépita disse:
- Ó pobre moço! Que tentação o assaltou para vir se perder aqui em cima?
- Avózinha - disse Leombruno -, ando à procura de minha mulher, a fada Aquilina, e não terei paz enquanto não a encontrar.
- E agora como vamos fazer, quando voltarem meus filhos? Hão de querer comê-lo.
- Por que comer? Quem são seus filhos?
- Não sabe? Esta é a casa dos Ventos e eu sou Vória, mãe dos Ventos, e dentro em pouco meus filhos estarão de volta.
Vória escondeu Leombruno numa arca. Ouviu-se um rumor distante como de árvores se inclinando e ramos se quebrando, e um uivo entre os despenhadeiros da montanha. Eram os Ventos que regressavam. O primeiro foi o do norte, gelado e com fragmentos de gelo pendendo-lhe das roupas; a seguir, Mistal, Gregal e do Sudeste; e já estava à mesa quando chegou o último filho de Vória, Siroco, aquele que sempre se fazia esperar, assim que entrava, aquecia a casa.
Todos eles, ao entrarem, a primeira coisa que disseram à mãe foi:
- Oh, que cheiro de carne humana! Há algum cristão em casa.
E Vória:
- Estão sonhando, que cristão chegaria a estas paragens de cabritos monteses?
Contudo, de vez em quando, os Ventos continuavam a dar umas cheiradas e a falar de carne de cristãos. Então Vória colocou uma polenta fumegante na mesa e todos os filhos se puseram a comer avidamente. Quando estavam fartos, Vória disse:
- Eram a fome que os fazia sentir cheiro de cristãos né?
- Agora que estamos fartos - disse Mistral -, mesmo que tivéssemos um cristão ao alcance das mãos, não lhe faríamos nada.
- É sério que não lhe fariam nada?
- É sério. Com certeza nem tocaríamos nele.
- Então, se juram por São Jorge que não lhe farão nada, mostro-lhes um cristão em carne e osso.
- O que está dizendo Mamãe? Um homem em cima? Como é possível? Sim, juramos por São Jorge que não lhe faremos nenhum mal, se é que nos mostrará mesmo o homem.
Assim, entre os sopros fortes dos Ventos, que quase não o deixavam parar em pé, surgiu Leombruno e, crivado de perguntas, contou a sua história.
Quando souberam da busca da fada Aquilina, cada um refletiu para ver se sabia de algo e, um por um, disseram que em suas andanças pelo mundo jamais a tinha encontrado. Só Siroco, permanecera calado.
- E você, Siroco, não sabe de nada? - disse Vória.
- Claro que sei - disse Siroco. - Não sou distraído como meus irmãos, que não sabem encontrar nada. A fada Aquilina está doente de paixão. Chora sempre, diz que seu marido a traiu e está morrendo de dor. E eu, provocador como sou, divirto-me fazendo barulho ao redor de seu palácio, escancarando janelas e balcões, e lhe jogando ar até mesmo entre os lençóis.
- Ó meu Siroco! Você tem que me ajudar! - disse Leombruno. - Deve me ensinar o caminho para chegar a este palácio. Sou o marido da fada Aquilina e não é verdade que seja um traidor. Também eu morrerei de dor se a não encontrar.
Não se como fazer - disse Siroco - pois é um caminho muito complicado para que se possa ensiná-lo. Teria que vir comigo, mas ando tão rápido que ninguém pode me acompanhar. Seria preciso levá-lo no colo, mas como faço? Sou feito de ar e você escorregaria de mim.
- Não se preocupe - disse Leombruno, você segue o seu caminho e eu não ficarei pra trás.
- Ah! você não sabe como corro! Se quiser experimentar.... Partiremos amanhã de madrugada.
Ao amanhecer, Leombruno, com a bolsa, as botas e a capa, parte com Siroco. Às vezes, Siroco se virava para trás e chamava:
- Leombruno! Oh, Leombruno!
E ele:
- Oh, o que quer? - Já estava na frente.
E Siroco ficava sempre mal.
- Aqui estamos - disse o Siroco num certo ponto. - Aquele é o balcão de sua amada.
E com um sopro Siroco o escancarou: Leombruno foi rápido ao saltar para dentro, envolvido em sua capa.
A fada Aquilina estava de cama, e uma de suas criadas lhe dizia:
- Minha patroa, como se sente? Está um pouco melhor?
- Melhor? Esse vento maldito recomeça a soprar. Estou meio morta.
- Não quer tomar alguma coisa? Um pouco de café, de chocolate, uma tigela de caldo?
- Nada, não quero nada.
Mas a criada tanto fez que a convenceu a tomar um pouco de café. Levou a a xícara e a deixou perto da cama. Leombruno, invisível, pegou a xícara e bebeu o café. A criada, pensando que a fada tivesse bebido logo o café, levou também o chocolate, e Leombruno bebeu também ele. A criada voltou com uma tigela de caldo e algumas coxinhas fritas:
- Senhora patroa, já que tomou o café e o chocolate, é sinal de que lhe voltou um pouco do apetite, Prove esse caldo e estas coxinhas fritas, assim recuperará as forças.
- Mas que café? Que chocolate? - disse a fada. Não tomei nada.
As empregadas se entreolharam como se disessem: "Está perdendo o juízo".
Mas, assim que ficaram sozinhos, Leombruno, retirou a capa:
- Minha mulher, reconhece-me?
A fada se atirou no pescoço dele e o perdoou. Fizeram juras de amor, lamentaram o sofrimento por terem ficado tão distantes, E deram um grande banquete no palácio, e todos os Ventos foram convidados para redemoinhar em sinal de alegria.

Não é muito legal???

~Fim~

Era uma vez... (parte 2)


Enquanto cavalgava para regressar ao castelo da fada Aquilina, passou por uma cidade onde anunciava um torneio. Quem vencesse o torneio durante três dias seguidos receberia a mão da filha do rei. Leombruno, que tinha vontade de se exibir um pouco com o rubi encantado que trazia no dedo, apresentou-se no torneio do primeiro dia, venceu a todos e fugiu sem dizer seu nome. No segundo dia, apresentou-se de novo, saiu vencedor, mais uma vez e mais uma vez desapareceu. No terceiro dia, o rei mandara reforçar a guarda ao redor do local do torneio, e o vencedor foi detido e conduzido perante a tribuna real.
- Cavaleiro desconhecido - disse o reio -, apresentou-se no torneio e o venceu. Por que agora não quer se identificar?
- Perdão, Majestade, não ousava vir à sua presença.
- Venceu, cavaleiro, e agora deve casar com minha filha.
- Majestade, lamento, mas não posso!
- E por que não?
- Majestade, sua ilha é uma jovem belíssima, porém já tenho uma esposa que é mil vezes mais linda que sua filha.
Diante de tais palavras, um murmúrio percorreu a corte; a princesa ficou com o rosto vermelho como brasas, e os nobres se puseram a sussurrar entre eles sem cessar. O rei, grave, impossível, disse:
- Cavaleiro, para que possamos admitir sua glória, é preciso que ao menos nos mostre sua consorte.
- Sim, sim - fizeram coro os fidalgos -, também queremos ver tal beleza. L
Leombruno se dirigiu ao rubi:
- Rubi, meu rubi, faça comparecer aqui a fada Aquilina
Porém, o rubi tinha poderes sobre todas as coisas, menos sobre a fada Aquilina, de quem provinha sua virtude mágica. E a fada, cheia de desdém, pois Leombruno se gabara dela, respondeu à chamada do rubi mandando a última de suas empregadas.
Contudo, mesmo a última das empregadas da fada Aquilina era tão bela e ricamente vestida que o rei e toda a corte ficaram de boca aberta.
- Cavaleiro, certamente é bela a sua esposa! disseram.
- Mas esta não é minha mulher! - disse o rei.
E Leombruno repetiu ao rubi:
- Meu rubi, desejo que a fada Aquilina compareça diante de todos aqui.
Dessa vez a fada Aquilina mandou sua primeira criada.
- Ah, esta sim é uma beleza! - disseram todos -, seguramente é sua esposa!
- Não - dsse Leombruno. - É apenas a sua primeira criada.
- Acabemos com isso! - disse o rei. - Ordeno-lhe que faça aparecer a sua verdadeira esposa.
Leombruno acabara de se dirigir ao rubi outra vez, quando, numa espécia de esplendor do sol, surgiu a fada Aquilina. Os fidalgos da corte ficaram deslumbrados, rijos como estátuas, o rei inclinou a cabeça, e a princesa rompeu em soluçõs e desapareceu. Mas a fada Aqulina se aproximou de Leombruno e, fazendo menção de pegar na sua mão, arrancou-lhe o rubi, exclamando:
- Traidor! Você me perdeu e só me reencontrará se gastar sete pares de sapatos de ferro. - E sumiu.
O rei ergueu o indicador contra Leombruno:
- Compreendi: você venceu graças às virtudes do rubi, e não por seu próprio mérito. Servos, dêem-lhe uma sova!
E o cavaleiro foi expulso, espancado e deixado na rua, ferido, com as roupas rasgadas e sem montaria.
Assim que teve forças para se reerguer, dirigiu-se tristemente rumo à porta da cidade e, ouvindo um forte rumor de martelos, percebeu estar próximo à oficina de um ferreiro, onde entrou.
- Mestre - disse -, preciso de sete pares de sapatos de ferro.
- O que fez, um pacto com o Pai Eterno, para viver centenas de anos até gastar todos esses sapatos? Mas, por mim, posso lhe fazer até dez, ou quantos quiser.
- O que lhe importa se vou gastá-los? Basta que lhe pague, não? Faça os sapatos e silêncio.
Assim que recebeu os sapatos, pagou-os, calçou um par, pôs três no bolso da frente, três no de trás e partiu. A noite o surpreendeu caminhando em meio a um bosque. Ouviu vozes discutindo; eram três ladrões que brigavam para dividir um butim.
- Ei, você, bom homem! Venha ser nosso juiz. Dirigimo-nos a você para saber o que toca a cada um.
- O que precisam dividir?
- Uma bolsa que, todas as vezes que é aberta, deita fora cem reais. Um par de botas que, ao ser calçado, corre uma milha além vento. E uma capa que torna invísivel quem a usa.
- Antes, deixe-me experimentar, se tenho que julgar. A bolsa: sim, é como vocês dizem. As botas: bem cômodas, isso são. E a capa, esperem-me abotoar aqui. Vêem-me?
- Sim.
- E agora, vêem-me?
- Sim, ainda.
- E agora?
- Não, agora não o vemos.
- E não me verão mais - disse Leombruno e, tornado invísivel pela capa, correndo mais que o vento com as botas mágicas e carregando a bolsa dos cem reais, percorria vales e selvas.
To be continued....

Era uma vez.. (parte 1)




Era uma vez um pescador infeliz: havia três anos que não conseguia pescar nem uma só anchova. Para sobreviver, ele, mulher e quatro filhos, vendera tudo o que tinha e agora pedia esmolas. Mesmo assim, dia após dia, punha a barca na água e ia para o alto-mar jogar suas redes. Recolhia-as sem nem ao menos um caranguejo ou marisco, e explodia rogando pragas terríveis.
Certa vez, rogava pragas depois de ter puxado a rede, quando, no meio do mar, apresentou-se o Inimigo,
- Marinheiro, o que o enfurece tanto?
- O que lhe quer que eu diga? A minha grande falta de sorte. Deste mar não tiro nem um pedaço de corda para me enforcar.
- Ouça Marinheiro - disse o Inimigo -, se fizer um pacto comigo, terá pesca todos os dias e ficará rico.
- Que pacto? perguntou o pescador.
- Quero o seu filho - pediu o inimigo.
O pescador começou a tremer:
- Qual?
- Aquele que ainda não nasceu, mas nascerá em breve.
O Pescador pensou que fazia muitos anos que já não lhe nasciam filhos, nem lhe nasceriam mais. Por isso, disse:
- Bem, aceito esse pacto.
- Então - disse o inimigo -, quando seu filho tiver treze anos, você o entrega pra mim. E a partir de hoje começará a ter pesca abundante.
- E se esse meu filho não nascer?
- As redes virão igualmente cheias de peixe, fique tranquilo, e não me dará nada.
- Era o que queria saber. Então firmo o contrato.
Concluído o pacto e desaparecido o inimigo no mar, o pescador puxou as redes que surgiram cheia de dourados, atuns e polvos. E assim no dia seguinte e nos outros dias. O pescador ficava rico e já dizia: "Levei a melhor sobre o Inimigo!". Porém, eis que lhe nasce um filho, tão lindo que parecia uma flor, e que talvez se tornasse o mais bonito e forte de seus filhos. Pôs-lhe o nome de Leombruno.
Quando estava no meio do mar, voltou a se apresentar a ele o Inimigo:
- Ei, marinheiro.
- Em que posso lhe servir?
- Promessa é dívida, lembre-se, Leombruno é meu.
- Sim, senhor. Mas daqui a treze anos.
- Até a próxima, daqui a treze anos. - E desapareceu.
Leombruno crescia, e vê-lo tornar-se a cada dia mais bonito e forte era uma sofrimento para o pai, pois o dia se aproximava.
Já estavam para se completar os treze anos, e o pescador começava a desejar que o Inimigo se esquecesse do pacto, quando, remando no meio do mar, eis que o vê vindo ao seu encontro e lhe dizendo:
- Ei, marinheiro.
- Pobre de mim - disse o marinheiro. - Sim, já sei, chegou o momento. Diga-me o que devo fazer.
- Traga-o amanhã pra mim. Amanhã - disse o Inimigo.
- Amanhã - disse o pai chorando.
E no dia seguinte disse a Leombruno que lhe levasse um cesto com almoço num lugar deserto da praia, onde ele aportaria com a barca, para poder retornar a pesca sem ter de passar em casa. O moço foi, mas não viu ninguém; o pai se fora para alto-mar a fim de não se fazer ver e deixar Leombruno nas mãos do Inimigo. Vendo que seu pai não se encontrava lá, o moço se sentou na praia para esperá-lo e, para passar o tempo, com pedaços de madeira jogados pelo mar, fazia pequenas cruzes e as amarrava ao seu redor, em círculo, cantarolando. Estava justamente cantarolando no meio dos círculos de cruzes, com uma delas na mão, quando o Inimigo chegou pelo mar.
- O que está fazendo aí moço? - disse
- Espero meu pai.
- Você tem que vir comigo - disse o Inimigo, mas não ia adiante porque o moço se achava cercado por aquelas cruzes. - Desfaça as cruzes, imediatamente! -disse-lhe.
- Claro que não desfaço!
Todavia, o Inimigo começou a lançar fogo pelos olhos, pela boca, pelo nariz, e lhe provocou tanto medo que Leombruno se apressou a desfazer as cruzes., mas ainda restava aquela que tinha numa das mãos.
- Desfaça essa também, rápido!
- Não, não quero! - dizia o moço chorando diante do Inimigo, que continuava a deitar fogo.
Nisso, no meio do céu apareceu uma águia. Deu uma grande volta, batendo as asas sobre Leombruno, caiu sobre ele, agarrou-o pelas costas com as garras e o levantou no céus debaixo do nariz do Inimigo enfurecido.
A águia transportou. Leombruno até uma montanha bem alta e se transformou numa belíssima fada.
- Sou a fada Aquilina - disse - e você vai viver comigo e será meu marido.
Para Leombruno começou uma vida principesca, nutrido, e criado por fadas, que o instruíram em artes e no manejo de armas. Depois de ter vivido lá em cima muitos anos, foi tomado pela saudade de casa e pediu demissão à fada Aquilina para ir encontrar seu pai e sua mãe.
-Vá tranquilo e leve riquezas para seus velhos pais - disse a fada -, mas no final do ano deve voltar para mim. Pegue este rubi: terá tudo o que ele pedir. Porém, evite revelar que sou sua esposa.
Na aldeia de Leombrunom quando viram chegar um cavaleiro armado e vestido tão ricamente, as pessoas abriram alas. E o viram descer da sela à porta do velho pescador.
- O que pretende com aquela pobre gente? - perguntaram-lhe, mas Leombruno não lhe deu atenção.
A mãe veio abrir e Leombruno, sem se identificar, pediu hospedagem. Grande foi a confusão dos dois pobres velhos, tendo de hospedar um senhor com aparência tão nobre e rica.
- Desde que perdemos nosso adorado filho caçula - disseram-lhe -, não nos importa mais nada no mundo, e deixamos esta casa se arruinar.
Mas Leombruno demonstrava estar satisfeito com tudo, e à noite adormeceu numa cama de palha, como se estivesse em casa.
Estavam todos dormindo quando Leombruno disse ao rubi:
- Meu rubi, transforme esta pobre cabana num palácio com movéis de senhor e faça também com que nossas camas se tornem as mais macias e cômodas do mundo.
E o rubi transformou em realidade todos esses desejos.
De manhã, o pescador e a mulher despertaram num leito tão macio que afundavam nele.
- Onde estamos? Meu marido, onde estamos? - exclamou a velha, assustada.
- Eu é que sei minha mulher? - disse o pescador. - O fato é que eu me sinto muito bem!
E sua admiração cresceu ainda mais quando, ao abrir a janela, apareceu um aposento de príncipe e, no lugar dos velhos trapos deixados na cadeira, roupas bordadas de ouro e de prata.
- Mas onde é que viemos parar?
- Em sua casa - disse o cavaleiro entrando -, e também minha casa, pois sou seu filho Leombruno que julgavam perdido para sempre.
E assim começou para o velho pescador e a mulher uma vida rica e feliz junto ao filho reecontrado. Porém, certo dia ele disse que devia partir e, depois de ter lhes deixado caixas de jóias e pedras preciosas, despediu-se prometendo voltar a visitá-los uma vez por ano.

To be continued...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Feliz dia do LAR.


DIA DA TERRA É O DIA DO LAR. É O DIA DAS CRIANÇAS.

Relembrando momentos com a terra, quem de nós crianças felizes não compartilhamos com nossos amiguinhos explorações em terreno abandonado, chácara, fazenda, igarapé, cachoeira e mato desde que nós nos entendemos por seres que tem memória?! Pois é, o que mais temos é exatamente as melhores estórias de naturais exploradores desde vida então. Porém, quando crescemos, aprendemos com a sociedade que é tempo de viver em quatro paredes, de buscar objetivos, de não parar pra nada porque o "tempo" é dinheiro e o"lazer" é festa, embotando a nossa criatividade de fazer escolhas verdadeiras para com a vida, de ter opiniões de acordo com nossas experiência e gerando sempre pré-conceito e inveja com as inovações materiais e espirituais.

Relaxando a mente e deixando vir uma compreensão um pouco mais clara sobre a natureza que vivemos, todas estas tragédias naturais, caos, aflição humana é tudo parte do medo que temos para com ela. Temos que voltar a ser como aqueles antigos pequenos exploradores cavando a terra com a colher na mão, catando minhocas, construir a cabaninha de palha como lar de brincadeira ou subir no muro da casa final da tarde pra ver as corujas cantarem, ou seja, reviver este "prazer" da simplicidade da nossa relação com Gaia. Somente contemplando aqueles momentos e sentir de novo o gostinho da antiga aventura especial. Existem várias maneiras de fazer com que a paixão pelas coisas tomem vida, é só acharmos o melhor jeito para nos encaixarmos na melhor escolha "verde-natural-desbravadores".

Não importa quantos no mundo julgue-nos adultos responsáveis, sempre seremos crianças despreocupadas e felizes diante do paraíso que vivemos. E amando a Dona Gaia como algo real/vivo não somente algo abstrato/preocupado é que tornaremos a ser "o exemplo" ideal para as futuras gerações (com muito carinho e atitude)!

Eu amo a Terra do meu jeito, com o meu respeito,
descanso o meu olhar sobre as árvores,
de passos em passos, caminhando, assim nasce o sentimento (amor)
Aquele que eu sempre sonhei.
O sentimento (amor) de unidade que eu sempre tive,
só apenas demorei para encontrar.
Com sentimento e contemplação o Lar transmite troca/energia comigo.
Passa adiante para outros sentirem, e pulsarem
na mesma vibração. Tum Tum Tum..

O verde é real. Temos que fazer parte do Ritual de Iniciação! O templo é as árvores! Abrace!

Então, eu poderia ter botado uma foto mais natureza, mas botei esta foto do casal de criança porque ela me revolve mais as minhas estórias. Quando eu fui na dentista quando eu tinha uns 4 anos tinha vários quadros assim! :)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Monday Morning.


Segunda-feira sempre costuma ser um dia de novos começos. É o melhor dia execução do planejamento de qualquer novo ideal, dieta, estudos, enfim, é a válvula iniciadora que você pode ter muitas recompensas ou muito prejuízo mental. Planejar só pra satisfazer uma vontade superficial não cola com os resultados que se terão ao longo da semana - é preciso interiorizar suas vontades. Tem que instigar o seu "âmago", harmonizá-lo pra ver se ele concorda também. Temos que ser fiéis a nós mesmos, porque se for um plano-capricho vindo de alguma necessidade alheia, pode ter certeza que ele vai transformá-lo em um jovem "velho" de mente fechada com um humor cavernoso, sem espaço pro Novo, sem espaço pra Você..

"Segunda-feira ao seu alcance" pode ser uma expressão-chave pra delimitar suas possibilidades e injetar os melhores planos concretizáveis" Faça a segunda-feira-do-alladin make your dreams come true.



Ótima imperativa segunda-ao-alcance!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Homenagem.

I don't think art is propaganda; it should be something that liberates the soul, provokes the imagination and encourages people to go further. It celebrates humanity instead of manipulating it.

My contribution to the world is my ability to draw. I will draw as much as I can for as many people as I can for as long as I can. Drawing is still basically the same as it has been since prehistoric times. It brings together man and the world. It lives through magic!

Keith Haring.

Adeus ano velho, Feliz ano Novo.


Hoje busco por coisas que ainda não vivi e que quero viver. Sou fruto de uma correria incessante e tenho que aprender a respirar, nunca posso deixar de respirar. Esse é o lar. Procuro por signos, por um toque feminino que me sustente do começo ao fim do dia. Na realidade, não preciso destes signos, só preciso me lembrar que eles sou eu e vice versa. O projeto racional do hoje é deixar viver sem pensar no amanhã. O coração já está batendo, posso escutar tum tum tum...

Amanhã é meu ano novo. E na minha lista de desejos tudo é concretizável.

Arriba Frida. Arriba Flores. Assim será. O 5 é o número que vai me acompanhar: Hip Hip Hurra!!

Amo a todos aqueles que deixaram marcas fortes dentro de mim. Nunca hão de sair tão facilmente.

Sou viva hoje e nascerei amanhã. Que doces canções! (L)

Emoção estética.

A fonte de toda arte é a psique humana primitiva, necessidade pré-linguística de resolução de todo cansaço e discordância através da beleza e da harmonia, pelo uso da criatividade para reviver uma vida assassinada pela rotina, por uma ligação com a realidade através de nosso senso instintivo pela realidade. Como música e dança e escultura e pintura, a estória é a experiência da emoção estética – o encontro simultâneo do pensamento e sentimento.

Quando uma idéia se junta a uma carga emocional, ela se torna o que há de mais poderoso, mais profundo, mais memorável. Você pode esquecer um corpo que morre na rua, mas a morte de Hamlet você guarda para sempre. A vida por si própria sem a arte para moldá-la, deixa-nos na confusão e no caos, mas a emoção estética harmoniza o que você sabe com o que você sente para dar-lhe uma consciência elevada e uma certeza de seu lugar na realidade. Resumidamente, uma estória bem contada lhe dá o que você não consegue arrancar da vida: experiência emocional significativa. Na vida, experiências se tornam significativas quando refletidas ao longo do tempo. Na arte, elas são significativas agora no instante em que ocorrem.

Nesse sentido, a estória é fundamentalmente não-intelectual. Ela não expressa argumentos secos e intelectuais de um ensaio. Mas isso não quer dizer que a estória é anti-intelectual. Rezamos para que o autor tenha idéias importantes e visão de mundo. Isso quer dizer que a troca entre artista e público expressa a idéia diretamente através dos sentidos e percepção, intuição e emoção. Ela não requer mediadores, nenhum crítico para racionalizar a transação, para substituir o inefável e a sensação pela explicação e abstração. Análise intelectual, não importando quão genial seja, não alimentará a alma.

Uma estória bem contada não expressa os argumentos exatos de uma tese nem desabafa emoções raivosas e incompletas. Ela é o triunfo do casamento do racional com o irracional. Pois um trabalho que é essencialmente emocional ou essencialmente racional não pode ter a validade de um que atiça nossas sutis faculdades da simpatia, empatia, premonição, discernimento, nossa sensibilidade inata à verdade.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Decorando a alma.


Há duas semanas inicei o curso de CENOGRAFIA. Curso patrocinado pela secretária de cultura nacional sendo um projeto aprovado pela cenográfa carioca Maria Carmen de Souza que está arrepiando nossas aulas a base de muita inspiração.
Quando eu fazia faculdade, não tive o enorme prazer de conhecer esta área das artes cênicas, pois a grade curricular não dava todas as oportunidades de uma vez. Era preciso vivenciar as aulas chatas primeiro, resultando assim a desistência da metade da turma. Sinceramente, a instituição não foi criativa o suficiente para incitar a paixão dos alunos, álias, muito é negligente ela foi isso sim. Hoje, um pequeno curso de três meses está abrindo um leque para minha imaginação com o "teatro" de novo. Porém, desta vez de uma forma jamais vivenciada.
Eu estou mergulhando nesta arte e conhecendo sua função aos poucos, progressivamente, apaixonadamente e, curiosamente, sem perder a vista do "lugar" chamado espaço cênico, o lugar de minhas futuras abordagens profissionais em qualquer área que a cenografia atue.
Estou muito animada e confiante nesta nova peregrinação ao universo cenográfico, e, conhecer esta ciência com sua histórias é se aproximar honestamente da linguagem criativa que tanto aspiro em minha vida. Viva aos muitos projetos que virão, florescendo assim a paixão, e dando fim a ilusão das coisas vãs!