Acordei esta manhã, ainda com olhos fechados, me acabei pensando um pouco desanimada a mesma coisa que penso todas as manhãs: é Fefa, hoje você também não conseguiu, já está se acostumando hein menina com a idéia de que poderá só acordar às oito horas da manhã em diante. Que seja mais um dia comum, onde você só conseguirá aproveitar sua solidão com horas a menos, até que todo mundo acorde, e “Au revoir” querido ficar só. Mas depois de mentalizar este triste hábito, abri meus olhos, e não acreditei: tudo ao meu redor estava em volta da mais amada luz azul do crepúsculo das 6 da manhã e eu com uma disposição de pureza espírito que há tanto tempo almejava. Por agora estou feliz, vendo neste momento o adorável encontro entre a aurora e o escurescer, sem nenhuma preocupação na mente, esquecendo-me que sou humana, esquecendo-me que tenho rosto, esquecendo-me até de que conheci algum indivíduo nesta terra. Torno-me legendária, atravesso um portal pela minha simples visão e transcorro a época de todos os tempos. Este ambiente não só pulsa a alma, mas atinge-a numa total familiaridade, pois é impagável respirar a brisa deste espaço calmo, com nuvens “Vanilla Sky” e com um aspecto domingo sacro maravilhoso. É como se eu saísse da realidade comum de onde vivo, e me transportasse para uma atmosfera de sabedoria e completude das horas, podendo me sentir (como há muito não sinto) centrada, pés no chão, não deixando de desfrutar com a brisa inebriante os meus mais nobres pensamentos. E a minha solidão é muito sortuda por esta envolvida por este privilégio, e pede, e louva, para que este momento solene possa vir todos os dias. Então, me permito saborear o café com mais dignidade, perfumar o ar com cheiros amadeirados para que crie se uma ponte na memória entre os sentidos e a contemplação, e me promover a uma sessão-escrita que é um dos hábitos mais ricos do mundo que se pode ter num horário como esse. Como foi tudo natural, não me forcei a ter esta experiência, até porque nunca uso despertador. Pois que agradeço - obrigada vida, por te me proporcionado este momento precioso de saber me entregar a esta vivência desperta. Saiba minha querida vida, que este é o meu horário preferido, e há de sempre ser. Ah agora eu sei o que é a palavra Lar, posso senti-la. E tenham um ótimo dia, porque com certeza eu terei, em todas as raras manhãs-crepúsculos que enlevam a minha existência. Que doces canções (L)
domingo, 29 de agosto de 2010
Manhãs-crepúsculo.
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