
A fonte de toda arte é a psique humana primitiva, necessidade pré-linguística de resolução de todo cansaço e discordância através da beleza e da harmonia, pelo uso da criatividade para reviver uma vida assassinada pela rotina, por uma ligação com a realidade através de nosso senso instintivo pela realidade. Como música e dança e escultura e pintura, a estória é a experiência da emoção estética – o encontro simultâneo do pensamento e sentimento.
Quando uma idéia se junta a uma carga emocional, ela se torna o que há de mais poderoso, mais profundo, mais memorável. Você pode esquecer um corpo que morre na rua, mas a morte de Hamlet você guarda para sempre. A vida por si própria sem a arte para moldá-la, deixa-nos na confusão e no caos, mas a emoção estética harmoniza o que você sabe com o que você sente para dar-lhe uma consciência elevada e uma certeza de seu lugar na realidade. Resumidamente, uma estória bem contada lhe dá o que você não consegue arrancar da vida: experiência emocional significativa. Na vida, experiências se tornam significativas quando refletidas ao longo do tempo. Na arte, elas são significativas agora no instante em que ocorrem.
Nesse sentido, a estória é fundamentalmente não-intelectual. Ela não expressa argumentos secos e intelectuais de um ensaio. Mas isso não quer dizer que a estória é anti-intelectual. Rezamos para que o autor tenha idéias importantes e visão de mundo. Isso quer dizer que a troca entre artista e público expressa a idéia diretamente através dos sentidos e percepção, intuição e emoção. Ela não requer mediadores, nenhum crítico para racionalizar a transação, para substituir o inefável e a sensação pela explicação e abstração. Análise intelectual, não importando quão genial seja, não alimentará a alma.
Uma estória bem contada não expressa os argumentos exatos de uma tese nem desabafa emoções raivosas e incompletas. Ela é o triunfo do casamento do racional com o irracional. Pois um trabalho que é essencialmente emocional ou essencialmente racional não pode ter a validade de um que atiça nossas sutis faculdades da simpatia, empatia, premonição, discernimento, nossa sensibilidade inata à verdade.
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