
Gostaria de expressar alguns sentimentos que vivi neste começo de 2010, ano que marcou um florescimento gradual dos girassóis internos, processo que começou desde Palmeira, cidade no interior do Paraná. A convite de uma amiga especial, me senti honrada a ir a esta cidade um tanto hospitaleira e excêntrica. Até chegar em Curitiba, não imaginava ainda o que me aguardava, só pensava em estar inteira a tudo o que um "ano novo" bem simples e caseiro tinha a me oferecer. Eu já começava a principiar algo novo surgindo no meu coração, mas não sabia dizer muito o que era, pois era baseado em estímulos e imagens visuais recebidos das brisas com cheiro do mundo. O desembarque e as boas-vindas foram bem fraternais. Crianças, vovôs e titias, todos receptivos e curiosos com as novas visitas. E quando se resume a gente nova no pedaço, sempre tem aquele sabor de espontaneidade na primeira impressão. Começa a nascer diálogos aleatórios que vão preenchendo nossa imaginação de muito bom humor e receptividade desinteressada, fazendo-se as primeiras impressões recebidas: a de se sentir realmente parte da família. Era como se eu fosse uma prima distante que estava curiosa de saber as notícias catalogadas nos últimos 10 anos. Pra todas estórias, sempre há o mensageiro das novidades fresquinhas, aquele que conhecia todos na cidades e fazia você conhecer também, não perdia a piada pra nada, nem mesmo ao mostrar seu álbum de casamento apontando todos os parentes convidados, dizendo sucintamente um pouco de cada um. Uma primeira impressão de apenas poucas horas na qual você já pode relaxar a coluna e perder a vergonha. E foi assim num total aconchego de conversas recíprocas que fomos presenciando as últimas horas do dia 31. Quando chegou a contagem o frio já foi dando as caras e o vento já estava ativo e movimentando-se pelas casas para dar as boas notícias do ano novo. Com certeza, a parte mais divertida da preparação do ano novo foi se arrumar entre amigas, estreando algum vestido novo e abusar na maquiagem, absolutamente, essa é uma sensação muito estimulante para se passar a madrugada em claro: estar bonita, sorridente e bem-acompanhada. O resto eram apenas flashes e mais flashes. Mas o "ano novo"não se resumiu a apenas aquele start de transição de ano, mas como todos os longos dias vividos naquela cidade. Foi tudo muito vivo, dinâmico e extremo aproveitado, pois nada me escapa. Uma fagulha de momento soou uma vida. E não é em vão que destaco um girassol como grã-símbolo de Palmeira, afinal, por onde eu olhava, tinha algum girassol estampado seja na arte, seja nas sementes comidas, sejam em algum jardim ou até naquele imperdível olhar. Tudo era motivo para ser e viver girassol. Tudo era muito mais intenso e afiado comparado a um "ano novo" badalado em mais uma repetida multidão festiva de champanhe, como tudo era muito mais prazeroso, comparado a férias na praia com uma galera bebendo durante uma semana e só pensando em libertinagem, tudo era muito mais que isso: pois tudo foi vivido internamente, foram dias abraçados pela alma e elevados ao coração. Foram dias de consagração, e olha que nem precisei à igreja pra me benzer, a cidade inteira já era um templo de iniciação. Só para se ter uma idéia da magnanimidade da localização, os vizinhos não eram mais nada que uma árvore de uns 70 anos chamada "árvore cheia", uma pequena pracinha bem antiga centralizando a rua, dando viés a um antigo cemitério de escravos africanos do século passado. Logo embaixo, referência ao patrimônio histórico da cidade, existia uma misteriosa casa colonial, onde segundos diziam, a própria Princesa Isabel já esteve com os escravos, e que até hoje continua sendo habitada pelas almas penadas. Quer vizinhança mais interessante que esta? Não há dúvida! Na minha memória estampa outros detalhes surpreendentes que não podem ser ditos, são pra serem sentidos. Detalhes que ainda vagam no meu depósito de sensações vira e mexe, outrora, me estimulam a viver como um girassol: sempre amarelo. Quando nada muito se espera, tudo se recebe, pois sempre há recompensas, sentidas ou materializadas. Isso é apenas o começo minha gente! Viva a despretensiosidade!
Pois bem, após ler seu blog estou surpresa( e isso é bom)! eu sabia de seus dons e gosto pela literatura, mas realmente é possível ver o qto a nossa fernandinha se modificou! o qto vc cresceu, aprendeu... eu estou muuuuito feliz por vc!! adorei tudo o que li!!
ResponderExcluirMuitas vezes eu encontro pessoas que não via há muito tempo, e tbém fico surpresa ( mas não é bom), pois elas conseguiram uma proeza, de permanecerem as mesmas, e isso me causa espanto! como pode alguém fazer isso??!! chego a pensar muitas vezes que não vivem...fantasmas de sua própria existência! e você pequena grande fernanda me deixa feliz, pois vive!! arrisca! se inconforma! questiona! reflete! muda! sente! nunca deixe de viver!!!
Realmente você sentiu a energia da cidade.
ResponderExcluirPalavras são poucas perto das sensações.
Deslumbrado.
Yhuri